Seguro de Saúde: entre planos, exclusões e falsas expectativas
15 de Janeiro, 2026
Sumário: Nos últimos anos, o seguro de saúde passou a ocupar um lugar central nas decisões das famílias portuguesas, neste artigo abordam-se as diferenças entre seguros de saúde e planos de saúde e os cuidados a ter na contratação destes produtos.
Porque cresce a procura por seguros de saúde?
Nos últimos anos, o seguro de saúde passou a ocupar um lugar central nas decisões das famílias portuguesas. As dificuldades de acesso ao Serviço Nacional de Saúde, os tempos de espera prolongados e a percepção de maior controlo sobre os cuidados médicos levaram muitos consumidores a procurar soluções no setor privado. No entanto, nem sempre as expectativas criadas correspondem à realidade do produto contratado.
O que está realmente coberto, e o que não está?
Um dos principais motivos de discussão, prende-se com a falta de compreensão sobre o que o Seguro de Saúde efetivamente cobre. Muitos consumidores acreditam estar protegidos para toda e qualquer situação clínica, quando, na prática, existem limites, períodos de carência, exclusões específicas e capitais máximos por ato médico ou por ano. Estas condições não significam falta de qualidade do seguro, pelo contrário, mas existem regras contratuais que importa conhecer cuidadosamente antes da adesão. Não importa apenas olhar para o valor do prémio. É normalmente aqui que a essencial escapa ao consumidor.
Planos de saúde não são Seguros de Saúde
É também neste ponto que surge uma confusão muito comum no mercado: a diferença entre planos ou cartões de saúde e Seguros de Saúde.
Um plano ou cartão de saúde não é um seguro. Trata-se, regra geral, de um acesso a uma rede de prestadores a preços convencionados, onde o utilizador paga diretamente cada ato médico, beneficiando apenas de um preço reduzido. Não existe transferência de risco, nem comparticipação de despesas por parte de uma seguradora.
Já o Seguro de Saúde implica precisamente uma transferência de risco: mediante o pagamento de um prémio, a seguradora assume parte ou a totalidade dos custos de determinados cuidados médicos, dentro das coberturas contratadas. Confundir estes dois produtos pode levar a expectativas erradas e a decisões pouco ajustadas às reais necessidades de proteção.
Exclusões, períodos de carência e pré-existências: o detalhe que faz a diferença
A escolha de um Seguro de Saúde deve, por isso, partir de uma análise cuidada do perfil de cada pessoa ou agregado familiar: idade, histórico clínico, frequência esperada de utilização, capacidade financeira e expectativas realistas quanto ao serviço. O preço, por si só, não deve ser o critério decisivo, tal como a simples dimensão da rede médica anunciada.
Informação e aconselhamento continuam a ser essenciais
Num setor cada vez mais competitivo e com ofertas muito diversas, a informação clara e o aconselhamento especializado continuam a ser determinantes. Um seguro de saúde bem escolhido não é aquele que promete tudo, mas sim o que responde de forma transparente e eficaz às necessidades reais de quem o contrata.