Diário da República n.º 96, Série II, de 2018-05-18
Despacho n.º 4943/2018, de 18 de maio
Isenção parcial dos rendimentos públicos auferidos no estrangeiro
Negócios Estrangeiros e Finanças - Gabinetes do Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais
Síntese Comentada
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Aprova a percentagem dos rendimentos brutos da categoria A auferidos pelo desempenho no estrangeiro de funções ou comissões de caráter público ao serviço do Estado Português não sujeita a Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares para cada país
Despacho n.º 4943/2018, de 18 de maio
Nos termos da Constituição da República Portuguesa, o imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar. Neste contexto, a liquidação do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) depende não só do apuramento dos rendimentos auferidos, mas também de um conjunto de elementos personalizantes do imposto (designadamente, as deduções) e da aplicação de uma taxa progressiva ajustada à realidade económica e social.
Considerando que os mecanismos de liquidação do IRS foram estabelecidos tendo em atenção especificamente a realidade económica e social do nosso País, o Código do IRS estabelece uma forma alternativa de tributação dos rendimentos de trabalho dependente auferidos por não residentes: a aplicação de uma taxa liberatória de 25%.
Não obstante, a um universo específico de contribuintes – aqueles que desempenhem no estrangeiro funções ou comissões de caráter público ao serviço do Estado Português-, não sendo tributados por aplicação daquela taxa liberatória, é-lhes imposta a aplicação integral dos mecanismos de liquidação do IRS, sendo-lhes aplicado um sistema ajustado à realidade económica e social portuguesa mesmo quando vivam e trabalhem no estrangeiro.
Neste contexto, para aquele universo de contribuintes que vivem e trabalham no estrangeiro mas são tributados através da aplicação integral dos mecanismos de liquidação do IRS, a Lei n.º 114/2017, de 29 de dezembro, que aprovou o Orçamento do Estado para 2018, estabeleceu no artigo 228.º, um ajustamento à sua tributação, tendo em consideração a relação de paridade de poder de compra entre Portugal e os demais países.
Com a Lei do Orçamento do Estado, os n.ºs 3 e 4 do artigo 2.º-A do Código do IRS, passaram a estabelecer, respetivamente, «Não constitui rendimento do trabalho dependente a percentagem dos rendimentos brutos da categoria A dos sujeitos passivos que se encontrem na situação prevista na alínea d) do n.º 1 do artigo 16.º, fixada por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas dos negócios estrangeiros e das finanças, determinada para cada país de exercício de funções e adequada a ter em conta a relação de paridade de poder de compra entre Portugal e esse país.» e «O disposto no número anterior é apenas aplicável aos sujeitos passivos que não aufiram de abono isento ou não sujeito a IRS que corresponda também àquela finalidade.» Para o efeito, foram considerados os Indicadores de Desenvolvimento Mundial, relativos aos últimos três anos divulgados pelo Banco Mundial (2014-2016), que integram nas suas estatísticas um rácio do fator de conversão da paridade do poder de compra a taxas de câmbio de mercado, também designado por nível nacional de preços, procurando ajustar a cada país o montante de dinheiro (numa mesma moeda) necessário para adquirir os mesmos bens e serviços.
Excecionalmente, para os países em relação aos quais os indicadores das Nações Unidas evidenciam uma disparidade superior à apurada com base nos dados do Banco Mundial, foi considerada a média do ajustamento que resultaria da aplicação de cada um daqueles indicadores.
Em relação aos países para os quais nem o Banco Mundial nem as Nações Unidas têm indicadores disponíveis, foi considerada a média dos países vizinhos.
Assim:
Ao abrigo do disposto do n.º 3 do artigo 2.º-A do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de novembro, determina-se o seguinte:
1 – Aprovar a percentagem dos rendimentos brutos da categoria A auferidos pelo desempenho no estrangeiro de funções ou comissões de caráter público ao serviço do Estado Português não sujeita a Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares para cada país, em anexo ao presente despacho, que dele faz parte integrante.
2 – O presente despacho é aplicável aos rendimentos pagos ou colocados à disposição no ano de 2018 e seguintes.
3 – O presente despacho não é aplicável aos funcionários da carreira diplomática, nem ao pessoal especializado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, nem aos demais funcionários que se encontram na situação prevista na alínea d) do n.º 1 do artigo 16.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de novembro (Código do IRS), e aos quais não é aplicável o n.º 3 do artigo 2.º-A do Código do IRS.
(a que se refere o n.º 1)
| País | Percentagem |
|---|---|
| Afeganistão | 3% |
| África do Sul | 0% |
| Albânia | 0% |
| Alemanha | 25% |
| Andorra | 20% |
| Angola | 19% |
| Antígua e Barbuda | 0% |
| Arábia Saudita | 0% |
| Argélia | 2% |
| Argentina | 4% |
| Arménia | 0% |
| Austrália | 43% |
| Áustria | 27% |
| Azerbaijão | 0% |
| Bahamas | 46% |
| Bangladesh | 2% |
| Barbados | 25% |
| Bahrein | 3% |
| Bélgica | 27% |
| Belize | 0% |
| Benim | 0% |
| Bielorrússia | 0% |
| Bolívia | 0% |
| Bósnia e Herzegovina | 0% |
| Botsuana | 0% |
| Brasil | 3% |
| Brunei | 0% |
| Bulgária | 0% |
| Burquina Faso | 1% |
| Burundi | 3% |
| Butão | 0% |
| Cabo Verde | 0% |
| Camarões | 1% |
| Camboja | 0% |
| Canadá | 32% |
| Qatar | 12% |
| Cazaquistão | 0% |
| Chade | 3% |
| Chile | 0% |
| China (inclui Macau) | 6% |
| Chipre | 12% |
| Colômbia | 0% |
| Comores | 3% |
| Coreia do Norte | 5% |
| Coreia do Sul | 12% |
| Costa do Marfim | 4% |
| Costa Rica | 4% |
| Croácia | 2% |
| Cuba | 2% |
| Dinamarca | 41% |
| Dominica | 1% |
| Egito | 0% |
| Emirados Árabes Unidos | 8% |
| Equador | 0% |
| Eritreia | 8% |
| Eslováquia | 0% |
| Eslovénia | 2% |
| Espanha | 12% |
| Estados Unidos da América | 31% |
| Estónia | 0% |
| Etiópia | 3% |
| Fiji | 1% |
| Filipinas | 2% |
| Finlândia | 36% |
| França | 28% |
| Gabão | 6% |
| Gâmbia | 0% |
| Gana | 4% |
| Geórgia | 0% |
| Granada | 0% |
| Grécia | 4% |
| Guatemala | 3% |
| Guiana | 2% |
| Guiné | 1% |
| Guiné Equatorial | 2% |
| Guiné-Bissau | 4% |
| Haiti | 4% |
| Holanda | 28% |
| Honduras | 0% |
| Hungria | 0% |
| Iémen | 0% |
| Ilhas Marshall | 23% |
| Ilhas Salomão | 24% |
| Índia | 0% |
| Indonésia | 3% |
| Irão | 4% |
| Iraque | 0% |
| Irlanda | 28% |
| Islândia | 40% |
| Israel | 33% |
| Itália | 21% |
| Jamaica | 5% |
| Japão | 25% |
| Djibuti | 5% |
| Jordânia | 5% |
| Kosovo | 0% |
| Kuwait | 3% |
| Laos | 1% |
| Lesoto | 0% |
| Letónia | 2% |
| Líbano | 7% |
| Libéria | 7% |
| Líbia | 0% |
| Lituânia | 0% |
| Luxemburgo | 34% |
| Macedónia | 0% |
| Madagáscar | 2% |
| Malásia | 1% |
| Malawi | 1% |
| Maldivas | 8% |
| Mali | 1% |
| Malta | 2% |
| Marrocos | 0% |
| Maurícia | 0% |
| Mauritânia | 0% |
| México | 0% |
| Micronésia | 23% |
| Moçambique | 6% |
| Moldávia | 0% |
| Mónaco | 25% |
| Mongólia | 0% |
| Montenegro | 0% |
| Myanmar | 5% |
| Namíbia | 0% |
| Nauru | 0% |
| Nepal | 0% |
| Nicarágua | 0% |
| Níger | 0% |
| Nigéria | 0% |
| Noruega | 47% |
| Nova Zelândia | 36% |
| Omã | 3% |
| Palau | 21% |
| Palestina | 0% |
| Panamá | 5% |
| Papua Nova-Guiné | 13% |
| Paquistão | 0% |
| Paraguai | 0% |
| Peru | 4% |
| Polónia | 0% |
| Quénia | 0% |
| Quirguistão | 0% |
| Quiribati | 11% |
| Reino Unido | 35% |
| República Centro Africana | 11% |
| República Checa | 0% |
| República Democrática do Congo | 2% |
| República do Congo | 8% |
| República Dominicana | 1% |
| Roménia | 0% |
| Ruanda | 0% |
| Rússia | 6% |
| Salvador | 0% |
| Samoa | 4% |
| Santa Lúcia | 5% |
| São Cristóvão e Nevis | 0% |
| São Marinho | 18% |
| São Tomé e Príncipe | 2% |
| São Vicente e Granadinas | 0% |
| Seicheles | 5% |
| Senegal | 3% |
| Serra Leoa | 6% |
| Sérvia | 0% |
| Singapura | 8% |
| Síria | 4% |
| Somália | 2% |
| Sri Lanka | 0% |
| Suazilândia | 0% |
| Sudão | 0% |
| Sudão do Sul | 8% |
| Suécia | 39% |
| Suíça | 48% |
| Suriname | 0% |
| Tailândia | 1% |
| Tajiquistão | 0% |
| Tanzânia | 4% |
| Timor-Leste | 6% |
| Togo | 0% |
| Tonga | 6% |
| Trinidade e Tobago | 5% |
| Tunísia | 0% |
| Turquemenistão | 2% |
| Turquia | 0% |
| Tuvalu | 23% |
| Ucrânia | 0% |
| Uganda | 0% |
| Uruguai | 8% |
| Uzbequistão | 0% |
| Vanuatu | 29% |
| Vaticano | 21% |
| Venezuela | 14% |
| Vietname | 0% |
| Zâmbia | 2% |
| Zimbabué | 4% |